O ex-vigilante de condomínio Luís Pereira dos Santos, de 43 anos, que se
dizia profeta e há quatro anos pregava o juízo final e criou uma seita,
com 131 seguidores, que esperava em duas casas no Parque Universitário,
na zona Leste de Teresina, o fim do mundo às 16 horas de ontem, foi o
primeiro a ser preso pela Polícia Militar (PM), dez minutos antes do
horário do apocalipse.
Aproximadamente mil pessoas cercavam as duas casas da seita, que Luís
Pereira chamada de Arca e onde ficariam as pessoas puras de coração e
amantes de Deus, que seriam arrebatadas, como um anjo o teria informado
há quatro anos. Às 16 horas, as pessoas passaram a jogar pedras nas
casas e em 40 policiais da Tropa de Choque da Rondas Ostensivas de
Natureza Especial (Rone).
Os policiais fizeram um cerco às casas onde moravam 131
seguidores da seita. Jogaram gás lacrimogênio, gás de pimenta e
prenderam dez pessoas que jogaram pedras e rojões contra a tropa de
choque. Também foi preso o seguidor da seita, “Zé da Égua”, que é
auxiliar do falso profeta.
O local virou uma praça de guerra. O tenente Tanaka Hitler, da
Rone, disse que as pessoas queriam depredar a casa e linchar Luís
Pereira dos Santos por ter retirado membros de suas famílias de casa,
dos empregos e deixaram de garantir o sustento de suas famílias porque
esperavam o fim do mundo.
O coronel José Albuquerque, coordenador de Operações Especiais da
Polícia Militar, negociou com os seguidores da seita para que deixassem
a Arca e voltassem pra suas famílias já que o mundo não tinha acabado.
O coronel José Albuquerque disse que Luís Pereira foi levado à
Central de Flagrantes de Teresina para ser interrogado e indiciado por
crimes que ainda estavam sendo tipificados.
Entre os detidos estavam José Walter Rodrigues Pereira e K.S.C.,
de 25 anos, acusados de jogarem pedras na tropa de choque da Polícia
Militar. Também foram detidos o ajudante de pedreiro Ronaldo Duarte de
Oliveira, de 26 anos, e o carroceiro José Ronaldo Ferreira por conflito
com policiais. José Ronaldo foi acusado de disparar rojões contra os
policiais.
No momento da prisão, Luís Pereira disse que estava muito
tranquilo. Ele declarou que estava indo por questão de segurança e que
acreditava em Cristo.
“Eu sou uma pessoa de Deus”, disse Luís Pereira. Em depoimento
para a delegada de Proteção à Criança e ao Adolescentes, Andréia
Magalhães, Luís Pereira disse que “Deus se equivocou”.
Ele foi indiciado por estelionato e permanecerá preso pela Polícia Civil.
Para dispersar a população, a polícia jogou bombas de efeito
moral e spray de pimenta. Muitas pessoas passaram mal com o efeito das
bombas.
Por volta das 15 horas, a dona de casa Maria do Rosário Silva, 57
anos, saiu da casa e relatou que os seguidores estavam se preparando
para o fim do mundo.
Ela disse que acredita que Jesus Cristo está no corpo do profeta e
que acredita nele. Maria do Rosário comentou que permanecem em oração.
Dentro da casa, policiais do Rone apreenderam uma caixa de margarina
contendo doce de caju com uma senhora. A preocupação é que poderia estar
contaminado com algum produto tóxico.
Duas viaturas do Corpo de Bombeiros, de resgate e combate a
incêndio entraram na Arca. O coronel Alberto Meneses, comandante de
policiamento da capital, disse que foram empregados em torno de 50
homens e 10 viaturas na operação surpresa, deflagrada às 16 horas.
Duas mulheres tentam invadir a casa para retirar a mãe e o irmão.
Maria Madalena Silva, de 39 anos, e Carmelita Aguiar dos Santos, de 40
anos, contaram que a mãe tem 58 anos e frequenta o local há 9 meses.
“Queremos retirar enquanto é tempo. A minha mãe está de juízo virado. Parece uma lavagem cerebral”, disse Maria Madalena.
Luís Pereira permitiu que conselheiros tutelares entrassem por
duas vezes na Arca. O conselheiro tutelar José Welton Melo Soares, do
Conselho Leste/Sudeste, disse às 16 horas que 40 pessoas estavam na
residência porque alguns fiéis da seita tinha saído, mas novos fiéis
tinham aderido ao fim do mundo.








0 comentários:
Postar um comentário